sábado

TORTO ARADO

Torto Arado-Itamar Vieira Junior

 No sertão da Bahia as irmãs Bibiana e Belonísia,deixaram de lado as bonecas feitas com palha de milho para mexer na mala que a avó Donana, guardava debaixo da cama.Certamente, não poderia imaginar que uma simples arte causaria tantos transtornos e terminasse com uma das meninas sem poder mais falar. 


"Quanto mais chorávamos abraçadas, querendo pedir desculpas, mais ficava difícil saber quem tinha perdido a língua, quem teria que ir para o hospital a léguas de Água Negra. O gerente da fazenda chegou numa Ford Rural branca e verde para nos conduzir ao hospital." 

O episódio assustador logo mostrou como era forte o afeto entre as irmãs que fizeram de tudo para superá-lo.Elas eram filhas de trabalhadores rurais, descendentes de escravos, trabalhavam naquelas terras a décadas. O pai, um curador muito conhecido, Zeca Chapeu Grande estava sempre de portas abertas para ajudar seu povo, com o  qual dividia a pobreza e os sacrifícios da vida naquela terra. Quando podia trazia seus parentes que estavam em situação pior, para trabalharem ali na fazenda.

 "O gerente queria trazer gente que «trabalhe muito» e «que não tenha medo de trabalho», nas palavras de meu pai, «para dar seu suor na plantação». Podia construir casa de barro, nada de alvenaria, nada que demarcasse o tempo de presença das famílias na terra. Podia colocar roça pequena para ter abóbora, feijão, quiabo, nada que desviasse da necessidade de trabalhar para o dono da fazenda, afinal, era para isso que se permitia a morada. Podia trazer mulher e filhos, melhor assim, porque quando eles crescessem substituiriam os mais velhos. Seria gente de estima, conhecida, afilhados do fazendeiro. Dinheiro não tinha, mas tinha comida no prato." 

Belonísia, a mais parecida com o pai, adorava cuidar da terra e da casa.

Bibiana, ao contrário sonhava em estudar e sair dali.Oportunidade que teve depois que se casou com seu primo Severo e se mudou para viver na cidade, deixando a irmã  e a família desoladas.

Com o tempo, Belosisia também  sai de casa para morar com Tobias mas foi uma união fadada ao fracasso desde os primeiros dias. O marido além de violento bebia demais e mais uma vez a força daquelas mulheres seria colocada a prova.

Os anos seguem na fazenda que tem que lidar com os efeitos da seca, onde as crianças são as que mais sofrem, as plantações desaparecem e chega a fome. 

Disputamos a palma com o gado da fazenda. Havia uma parcela de terra destinada ao seu plantio. O cacto que se destinava à nossa alimentação estava em nossos quintais. Quem não foi previdente em ter sua própria plantação de palma, que acabaria com o passar dos meses, tinha que contar com a solidariedade de um vizinho"

O povo se une e aguarda o retorno das chuvas que volta refazendo a esperança e trazendo o recomeço.

Os anos passam e as irmãs se reencontram, juntas cada uma do seu jeito tenta ajudar ao povo sofrido da região. Os tempos mudaram também os donos da fazenda, que não querem mais em suas terras, aquela gente, que viveu ali durante toda a vida e que não tem para onde ir.

"Se não pudéssemos deitar nossos mortos na Viração era porque, em breve, também não poderíamos estar sobre a mesma terra."

Bibiana e seu marido estão agora de volta, ela como professora da única escola da região e ele tentando incentivar o povo a lutar por seus direitos a ficar onde seus pais nasceram e cuidaram por tanto tempo. Essa luta no entanto, não será fácil e mais uma vez, as jovens mostraram a determinação que herdaram de seus pais e avó.

"Mesmo muito depois de o carro ter deixado a fazenda e a família ter se recolhido aos seus afazeres, Belonísia permaneceu à porta mirando a estrada e tudo o mais que não podia ver de onde estava. Bibiana se levantou da mesa, onde iria iniciar a correção dos cadernos"

Torto Arado é uma história contagiante de um povo humilde porém, rico em coragem e na força do seu trabalho.Não há como não terminar essa leitura, sem se sentir tocado por uma profunda admiração pelos personagens que sabemos existirem na vida real.

ITAMAR VIEIRA JUNIOR  é o escritor brasileiro, premiado, Torto Arado recebeu prêmios no Brasil e em Portugal é também geógrafo. 

16 comentários:

  1. Li o post e fiquei muito interessada na história. Vou procurar o livro.
    Obrigada pela visita lá no blog. Beijos

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    1. Que bom que gostou querida,grata pela visita,bjus.

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  2. Realmente é uma história que contagia, lendo a resenha dá vontade de mergulhar na história e viver com os personagens, é um belíssimo livro do escritor Itamar, bjs.

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    1. Verdade,bom que tenha gostado,obrigada.

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  3. Oi
    Que legal :) eu adorei a sugestão de livro é maravilhoso. Não conhecia o trabalho do autor

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    1. Fico feliz que você gostou,obrigada.

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  4. Muito boa sua sugestão de leitura. Realmente muito envolvente . Gostei da dica literária .

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  5. amei sua resenha
    eu acho muito legal esses livros
    coloquei na minha listaa

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    1. Fico muito feliz que tenha gostado.bjus.

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  6. Não conhecia o autor,mais fiquei apaixonada nesta resenha,quero muito ler já esta na minha lista de leitura.

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  7. Olá, tudo bem? Não conhecia a obra, mas depois de tudo que disse fiquei curiosa. Realmente parece ser bem interessante. Dica super anotada!
    Beijos

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    1. Obrigada, espero que goste tanto quanto eu gostei,bjus.

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  8. Nao conhecia, mas adorei sua resenha! Achei bem interessante

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    1. Obrigada, volte outras vezes, tem muito mais indicações.bjus.

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